quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Confessionario Online: Confissões parte 2

Tive que adiar alguns trabalho para terminar esse post, decidi continuar o texto que havia postado aqui do antigo blog, resolvi fazer em mais duas partes para não ficar tão grande nem cansativo (para ambas as apartes), decidi também falar na continuação sobre coisas que queria postar antes aqui, mas não me sentia a vontade, mas isso vai ficar pro proximo texto.

Nessa época me afastei da maiorias dos meus outros amigos, buscando uma maneira de me encaixar no mundo hetero. Fui a festas, dancei forró, fiquei com garotas, mas a única coisa que realmente me interessava era a amizade do pessoal, esse foi um período bastante difícil para mim que já via que ser hetero ia ser uma missão muito difícil, não que eu não conseguisse ficar com mulheres, mas que por ser extremamente tímido acabava criando uma barreira na hora de tomar a iniciativa, principalmente por conseguir sentir tesão pelo corpo feminino, visto que o tesão quase sempre foi o combustível que me impulsionou para coisas que tinha vergonha de fazer.

Com o tempo fui ampliando mais meu horizonte de amizades, principalmente as que não exigiam de mim uma imagem de pegador ou coisa do tipo, acabei voltando a falar com alguns dos antigos amigos e quando as coisas começaram a ficar pesadas no meu grupo de amigos, eu me afastei cumprindo o que havia dito para um deles em uma conversa logo depois que minha família me advertiu da reputação deles. Nesse dia eu estava furioso por eles estarem se metendo na minha vida, mas ainda assim parei e analisei se o que eles disseram quanto a reputação do pessoal podia ser verdade, ai por fim acabei tendo uma conversa seria com um deles (que na época era o eixo principal do grupo), falei sobre o que minha família havia comentado, que eu particularmente não acreditava e que deixei explicito que não iria para de andar com eles só por causa dessas conversas, mas em contra partida deixei bem claro que era contra aquilo (drogas) e que se eu desconfiasse de algo iria me afastar, o que acabou acontecendo.

Nessa época a vida já estava me cansando, eu não gostava da cidade, não gostava das pessoas, não gostava do clima, não gostava da família, da falta de liberdade (e olha que eu tinha muita), da escola, das pessoas na escola, basicamente de tudo, eu fingia muito bem, mas no fundo eu queria poder botar aquela cidadezinha desgraçada abaixo e não deixar nada nem ninguém para contar historia.

Foi quando minha mãe veio com uma proposta, ela tinha a alguns dias feito uma cirurgia para tirar um tumor no cérebro e depois de sua recuperação, como previsto pelos médicos, estava com seu gênio (que se fosse ruim já seria um avanço) umas 10 vezes pior, não conseguia confiar em ninguém para cuidar dela e depois de tentado matar minha irmã por ter desconfiado que ela estava dando em cima do marido dela (nota, minha irmã era casada e o marido da minha mãe era feio pra caralho, ou seja, ilusões de uma mente insana), ninguém queria encarar o desafio principalmente porque ela iria se mudar para o Rio Grande do Norte por causa do trabalho do marido, mas para mim seria uma oportunidade de ouro, para fugir do lugar que tanto me atormentava e apesar de todo mundo ser contra acabei indo.

Passei dois anos morando com ela, primeiro em Mossoró, carinhosamente apelidado de Mossol devido ao clima, que de tão quente e seco me fez querer testar aquela historia do ovo no asfalto. Lá eu conheci uma galera legal, que se encaixou no que eu necessitava naquele momento, nerd's viciados que não pegam ninguém e a partir dai que eu comecei a jogar pra valer jogos online e de RPG's de mesa. Nessa época eu ainda não tinha me resolvido e ainda estava com a idéia de viver uma vida heterossexual na cabeça, por mais difícil que me fosse, mas enquanto eu pudesse deixar para depois pra mim melhor.

Foram tempos tranqüilos, eu lembro que esse foi um dos poucos momentos na minha vida assim, sem complicações, eu não me dava muito bem com minha mãe e minha irmã mais nova, mas já era esperado e eu nem me importava, tinha conhecido muita gente legal e os momentos fora de casa me faziam esquecer os que ficava dentro dela.

Como sempre depois de um momento bom, nada como um fundo do poço básico né. Morávamos em Mossoró como ja mencionei, mas meu padrasto trabalhava próximo a Icapuí que por achar a viagem até a cidade cansativa resolve nos mudar para a cidade, eu odiei a idéia, mas sempre calado fui morar nesse lugar com nome de aldeia indígena, chegando lá me deparei com meio metro de cidadezinha, praticamente um povoado metido a besta, a cidade na época tinha pouco mais de 4 anos a mais que eu, o que deixava a situação mais risível ainda. Passado um mês eu já estava cheio de todas as praias do local, aquela areia escura misturada com conchas trituradas, a brisa do mar, a calma e tranquilidade, tudo aquilo estava me dando nos nervos. A cidade não tinha nada e nem ninguém de interessante (ou eu não estava afim de ver), eu sentia saudades dos amigos que deixei em Mossoró, minha rotina havia mudado completamente se é que se podia ter uma rotina naquele lugar, o único lugar de acesso a internet era lento e caro, eu estava sem dinheiro, bem eu poderia escrever por horas os defeitos que aquele lugar tinha para mim naquele momento, mas resumindo fiquei em torno de  três meses analisado-os, três longos meses, que me fizeram pensar em muitas coisas, entre elas minha sexualidade.

Passado esse período de nadismo total, meu padrasto decide se mudar novamente, agora para uma cidade um pouco maior, não tão grande quanto a ultima (Mossoró), mas ainda assim maior que aquele vilarejo, a cidade se chamava Aracati (sempre nomes de tribo indígena não sei o porque) e era interessante, a velocidade da internet era boa, o que contava muito pra mim na época, o clima era agradável e nada de praias (depois de Icapuí fiquei traumatizado, fujo de praia enquanto posso), é lá que meus problemas amorosos começam e quando eu resolvo me aceitar e seguir em frente com minha sexualidade.

continua...

Este post e continuação (pedida) do texto citado aqui.

9 comentários:

  1. Aracati é uma cidade bonita, histórica, além de ter uma grande volatilidade de pessoas devido Canoa Quebrada. Tu não aproveitaste isso nem um pouquinho? kkk
    Só senti falta da referência a sua idade na época que viveu em cada cidade.

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  2. sério q vc perguntou pq os nomes de cidades são nomes de aldeias indígenas? pq eram aldeias ora. e não sabia q vc tinha morado no RN...

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  3. @Peah Não eu adorei Aracati, apesar de não ter conhecido canoa quebrada (Trauma de praias mencionado no post), irei falar sobre minha estada nela no proximo texto (que não será necessariamente no proximo post), o carnaval em Aracati foi e muito legal...

    Sim vou corrijir isso mas pra tirar sua duvida em mossoró estive entre os 17 e 18 anos, em Icapuí 18 e proximo aos 19.

    @FOXX Eu meio que descrevi, como me senti na epoca, ai o fato do nome ser indígena só reforçava minha sensação de estar no fim do mundo (isso para Icapuí).

    A não havia mencionado (mesmo sabendo que você e de lá, porque tinha planos de contar isso aqui no blog (pelo menos parte do proximo texto) ai preferi deixar em oculto.

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  4. Como é nome do lugar? Icapuí?

    Anotado. Será um dos lugares onde pretendo morar. Quando menos gente e civilização, melhor hahaha

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  5. estas catarses são muito boas e saldáveis ... noa ajudam a analisar nossas vidas com mais lucidez e tomarmos nossas trilhas de maneira mais tranquila ... adorando as suas confidências ... na verdade confidências de um "lobo em pele de cordeiro" ... rs

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  6. O bom desse tipo de "confissão" é que ela não precisa de penitência. Se permitir abrir-se é a própria redenção! Hugz, man!

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  7. Não encontro o teu e-mail por isso faço-te uma pergunta por aqui.
    Como é que posso fazer para colocar no meu blogue esse linque do [Responder comentário] que tens aqui na tua caixa de comentários?

    podes respondes por e-mail sff
    sadeyes.gf@gmail.com

    abc

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  8. Hummm... Eu concordo com o Lobo que esse lugar deve ser perfeito: pouca gente e calor!!! Vou arrumar minhas malas agora... rs

    Abrços!

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  9. Gente...você morou pertinho! E kd o resto da história...quase um ano já!

    Beijos do Alex

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